terça-feira, 27 de agosto de 2019

Eu Sou o Mensageiro - Markus Zusak


                Ed Kennedy é um cara comum. Nasceu, cresceu e ainda vive no subúrbio. Trabalha como motorista em uma empresa de táxi, mora sozinho, ou melhor, com seu cachorro Porteiro. Não é muito ligado à família, seus irmãos moram fora, seu pai já faleceu e sua mãe o despreza. Possui três amigos: Marv, Audrey e Ritchie, com quem passa suas horas de folga jogando cartas.
                Sua vida segue sempre da mesma maneira: trabalho, casa, amigos (jogando baralho), casa e assim vai. Nada de planos, nada de ambições, só vida que segue. O cara apenas sobrevive e não se dá muita importância.
                Um dia, para sua surpresa, ele recebe uma correspondência um tanto estranha... Um ás de ouros com algumas inscrições. A partir daí, sua vida muda completamente, pois se trata de instruções para que ele entregue algumas mensagens.

                Sabe aquele dia, em que você está conversando com alguém e essa pessoa acaba te dizendo alguma coisa que faz todo o sentido em uma determinada situação que você não sabia como resolver? Ou quando um gesto de alguém, mesmo sem nada de especial, torna seu dia mais leve? Alguém que te impulsiona ou incentiva de alguma maneira a se tornar uma pessoa melhor? Pois então, mensageiros assim fazem toda a diferença!
                Porém, a grande pergunta é: você tem sido um mensageiro? Quantas coisas podemos fazer pelos outros no dia a dia e tantas vezes deixamos para outra hora, diante de uma rotina sufocante e um pensamento depressivo sobre nós mesmos. "Ases" nos são enviados todos os dias. Muitos deles são ignorados, mas de alguns conseguimos compreender e completar a missão. Ainda assim, a desproporção é significativa e muitos "incentivos" ainda são necessários para entregarmos as mensagens porém, quando finalmente compreendermos o propósito, eles não serão mais necessários.
                Não se preocupe, na maioria das vezes não recebemos incumbências muito complexas. Ainda assim, qualquer pessoa, mesmo aquela mais comum, com a vida mais banal pode ser um mensageiro. É preciso uma dose de coragem, um pouco de autoconhecimento e simplicidade para descobrir o "o que" e o "como".

                De Markus Zusak até então, eu só conhecia o A Menina que Roubava Livros que tentei ler uma vez e não dei continuidade. Mas há alguns anos eu vi este outro livro dele e fiquei curiosa. Lançado em 2002 na Austrália e em 2007 no Brasil, só tomei conhecimento dele por acaso em 2017 enquanto procurava outros títulos. Deixei o livro no meu leitor digital e passou. Li outras coisas mas a curiosidade ainda estava lá, me incentivando. Até que finalmente peguei o livro para ler e adorei!!!
                Espero que deem uma chance a ele, valerá seu tempo e dedicação. Leiam nas entrelinhas, o forte do livro não está no romance em si(ele é bom sim, porém, não tem grandes reviravoltas), mas na mensagem.

                Boas leituras e fiquem atentos aos "ases".




sábado, 10 de agosto de 2019

O Médico e o Monstro - Robert Louis Stevenson


                Nossa história começa durante uma das muitas caminhadas habituais realizadas por Mr. Utterson e Mr. Enfield, quando aproveitam para conversar e se distrair da rotina. Aconteceu de passarem perto de uma casa um tanto sinistra, que ficava em uma entrada estreita da rua em que estavam. Mr. Enfield então, narra ao seu companheiro um fato ocorrido há um tempo; um encontro que teve com um homem estranho em circunstâncias um tanto desagradáveis, chamado Hyde. Este nome, combinado com o endereço indicado por Enfield, onde Hyde adentrou portando uma chave de acesso (a casa sinistra, cuja porta eles passavam defronte), deixaram Mr. Utterson pensativo. Afinal, o local lhe é familiar.
                Ao chegar em casa, Mr. Utterson foi até o cofre e pegou o testamento que ali estava. Este pertencia ao seu cliente e amigo pessoal Dr. Henry Jekyll. Dr. Jekyll determinava que, em ocasião de sua morte, todos os seus bens pertenceriam a Edward Hyde. Juntando o relato de Mr. Enfield ao que leu no testamento, Mr. Utterson decide então verificar o que está havendo; quem seria este Hyde e qual sua relação com seu amigo Dr. Jekyll? Estaria seu amigo correndo algum perigo?

                Todos temos luz e trevas habitando em nós, correto? Isso nos traz dilemas enormes ao longo da vida. Não conseguimos muitas vezes liberdade de ação em um dos lados, uma vez que o outro sempre nos "tenta", com uma perspectiva diferente conforme o que mais lhe agrada. Equilibrar a balança não é tarefa fácil! Afinal, por menos que se admita, somos os dois lados.
                Agora pensem por um momento em como seria se pudéssemos separar essas duas partes: bem e mal. Separá-las em identidades distintas podendo assim, viver as duas sem que uma interferisse em absoluto na outra; ambas agindo a seu bel-prazer. Seria possível? Existiria harmonia? Haveria alguma consequência? 
                Da mesma maneira que alertei na resenha de O Retrato de Dorian Gray de Oscar Wilde(obra influenciada por este romance de Stevenson), cuidado com aquilo que deseja. A alma humana é um pouco mais complexa do que a princípio possa parecer.

                A publicação original do romance ocorreu em 1886 no Reino Unido, com um sucesso estrondoso! Não é novidade para a grande maioria de nós a relação existente entre Dr. Jekyll e Mr. Hyde. Afinal, essa trama já foi mais do que adaptada para o cinema e para a televisão ao longo de todos esses anos.
                Caso você leitor, ainda não saiba a resposta para o enigma, recomendo muito a leitura. O texto é curto(menos de 100 páginas), e você vai acabar curioso para saber logo o que está havendo. E para os leitores que sabem a resposta, recomendo muito que conheçam a história original, com todo o clima de mistério que ela traz.

                Boas leituras!!





sábado, 3 de agosto de 2019

Entre o Crepúsculo e a Alvorada - Leandro Augusto Simões

          Surpresa, revolta, desespero, recaída, amor, esperança, luta, fé, alegria, tristeza, dúvida. Alguns sentimentos tão humanos, tão comuns. Quem nunca sentiu saudades de uma época em que não haviam preocupações, onde tudo era mais simples e belo? Ao mesmo tempo em que nos damos conta da realidade e, apesar de todos os problemas que surgem, ainda conseguimos ver a mesma beleza, a mesma simplicidade.
Nesta obra, o autor abre ao leitor sua mente e coração, contando sobre momentos intensos e delicados de sua vida. Enfrentou muitas dificuldades diante da situação delicada de sua filha, ao mesmo tempo em que precisou refletir sobre si mesmo e sua relação consigo e com o mundo ao redor. Mas apesar de tudo, também vemos através de suas palavras a beleza de sua relação com a família e amigos que foram de uma importância crucial para que ele superasse todas as dificuldades.
          Gostei de sua escrita, as poesias são bonitas e transmitem sentimentos. Particularmente, gostei muito da capa. Acredito que a imagem escolhida transmite muito bem o que vamos encontrar em suas páginas. Uma luz em meio ao mar revolto que insiste em brilhar, não importando o quão intensa seja a tempestade. Ela sabe que há esperança, que o sol voltará. Então aguenta firme, contra todas as probabilidades, por si mesma e por aqueles que dela dependem para se orientar.
          Momentos de dificuldades todos nós temos, uns mais, outros menos. No entanto, precisamos seguir firmes para que a nossa luz não se apague, sabendo que na vida tudo faz parte, tudo é aprendizado para a alma que por muitas vezes se debate. Todos ansiamos por uma alvorada e na tentativa de alcançá-la, se faz necessário vencer os crepúsculos. E em meio a um mar de escuridão, surgem pontos luminosos a guiar aquele que está disposto a se salvar e também a outros encaminhar.

          Recomendo a vocês mais esta leitura, foi uma reflexão muito interessante!


          Boas leituras!!




terça-feira, 9 de julho de 2019

Forrest Gump - Winston Groom


                “Deixa eu te dizer uma coisa,
                        ser idiota não é nenhuma caixa de chocolate.”


        Forrest Gump é uma pessoa simples, que quer apenas fazer o que é certo. Uma pessoa como qualquer outra que se vê por aí, exceto por sua condição “especial”. Ele define a si mesmo como um “idiota”, mas acredita-se que o que Forrest tem na verdade é algum tipo de autismo (mais próximo talvez da Síndrome de Asperger). Sua aptidão para a matemática e a música é superdesenvolvida, mas não se sai bem em nenhuma outra área, tendo dificuldade para compreender as coisas.
        Apesar disso, a vida de Forrest não é o que se possa chamar de pacata. Ao longo do livro, o personagem nos conta sua trajetória desde criança, como se estivéssemos sentados lado a lado em um banco de praça conversando. Sua narrativa é simples e envolvente fazendo com que o leitor termine a leitura em poucos dias para saciar sua curiosidade em saber onde culminarão situações tão atípicas e discrepantes entre si.

        Este clássico da literatura norte americana, publicado pela primeira vez em 1986, só ganhou destaque quando, em 1994, foi lançado no cinema o filme de mesmo nome baseado em sua história. Ganhador de seis Oscars, incluindo o de melhor filme (desbancando Pulp Fiction), o filme tem muitas coisas diferentes do romance, até mesmo o próprio Forrest (interpretado por Tom Hanks). Quem não ficou nada satisfeito com a adaptação para o cinema foi o próprio autor, Winston Groom, que criticou o filme em seu segundo livro Gump & Co. lançado em 1995.
        Voltando ao livro... Bem, o personagem está longe de ser uma pessoa tão inocente quanto o filme mostra, apesar de sua condição. Ele passa pela Guerra do Vietnã, conhece presidentes, viaja para outros países, se relaciona afetivamente com uma mulher, entre tantas outras coisas; mas em vez de estar alheio a tudo isso, de forma simples e honesta, acaba por emitir sua opinião a respeito, mostrando que, certas coisas às quais atribuímos muita importância e protocolos simplesmente não fazem muito sentido. Com um modo de falar simples e direto, o autor deixa algumas alfinetadas e um humor um pouco ácido às vezes.
        Um aviso importante aos futuros leitores da obra: não se preocupem com os erros ortográficos e gramaticais, são propositais para dar um tom mais real à voz do narrador. Quando comecei a leitura estranhei bastante, mas depois de “entrar no clima” ficou tudo bem. A edição que tenho, é comemorativa dos 30 anos da obra, lançada pela editora Aleph que, ao final, traz um texto de Isabelle Roblin (professora assistente da Université du Littoral-Côte d’Opale, na França) comparando livro e filme contextualizando melhor ambos com informações interessantes.
         Eu já havia assistido ao filme e agora que conheço o romance, posso dizer que não achei uma história extraordinária. Apesar disso, recomendo a leitura, é uma aventura gostosa de ser lida. O livro tem umas “tiradas” engraçadas que me fizeram dar risada e não é nada cansativo, pelo contrário; não sabemos o que esperar na próxima página! O livro é bom e o filme também, vale a pena dar uma chance a ambos.

         Boas leituras!!









domingo, 2 de junho de 2019

Anna Kariênina - Liev Tolstói

                       "Todas as famílias felizes se parecem, 
                                    cada família infeliz é infeliz à sua maneira."

            Anna Arcadiévna Kariênina é casada com Aleksiei Aleksándrovitch Kariênin com quem tem um filho, Serguei Aleksieitch Kariênin(Serioja). Em viagem à casa de seu irmão Stiepan Arcáditch Oblónski em Moscou, para ajudá-lo a resolver sua situação com a esposa, conhece o oficial Aleksiei Kirílovitch Vrónski e os dois começam um tórrido romance que abala as estruturas de todos, inclusive da sociedade em que estavam inseridos.
            Konstantin Dmítrich Liévin é um proprietário de terras amigo de Oblónski. Ele viaja até Moscou para propor casamento à Katierina Aleksándrovna Cherbátskaia(Kitty). Porém, Kitty está enamorada de Vrónski e aguarda seu pedido de casamento para a noite do grande baile, uma vez que ele já frequentava sua casa há algum tempo e demonstrava ter intenções de se casar. Mas mesmo sabendo, através de seu amigo Oblónski, dessa situação e de sua pequena chance de sucesso, Liévin se arrisca.

            A escrita de Tolstói é muito boa! Frases bem construídas e com passagens descritas de uma forma muito bonita. A princípio pensei que seria uma leitura difícil, mas quando comecei, ela fluiu bem. As tramas dos dois núcleos são apresentadas em capítulos alternantes divididos em oito partes. Os personagens são envolventes e complexos de tal forma, que por vezes nos esquecemos que não são reais. Eles mudam sua maneira de pensar, agir e sentir à medida que o tempo passa de maneira sutil, quase natural. Se prestarmos atenção, podemos perceber ainda a presença de paralelos como: cidade e campo, amor puro e carnal, riqueza e pobreza, direitos de homens e mulheres, pecado e virtude, etc. Os personagens por vezes são verdadeiros espelhos uns dos outros.
            Tolstói detalha tudo, como se nos levasse em um tour pela alta sociedade russa, colocando questões políticas, filosóficas, econômicas e sociais em voga na época de sua publicação, como as reformas liberais promovidas pelo imperador Alexandre II da Rússia, com destaque para a Reforma Emancipadora de 1861 ou Emancipação dos Servos que liquidou a dependência servil dos camponeses russos(mujiques), dando a eles plenos direitos de cidadãos.
            Ler clássicos pode ser um desafio para algumas pessoas, por vários motivos. No meu caso, apesar de gostar muito deles, certos detalhes tiram um pouco o meu ritmo de leitura... Como mencionei na resenha de Os Miseráveis, certos detalhes poderiam não ter entrado na história, ou simplesmente ter sido resumidos, já que no fim das contas não trazem uma grande relevância ao que está acontecendo(a meu ver, pelo menos). Sei que uma das coisas que faz com que um livro seja um clássico, são as informações que ele traz sobre o período em que foi escrito. Até aí tudo bem, as informações são passadas de forma a parecer que estamos participando mesmo das conversas e recebendo as notícias do dia a dia. Mas cenas detalhadas de caçadas, algumas discussões, uma eleição que parecia sem fim...(me solidarizei com o Liévin, por momentos me perdia e queria sair logo dali! Rs)

            Publicado inicialmente em partes na revista Ruskii Véstnik(O Mensageiro Russo) de 1875 a 1877, sua primeira edição completa em livro foi lançada em 1877. Até hoje este romance é aclamado como um dos melhores já escritos. Apesar das observações que fiz sobre a leitura ter se arrastado em alguns momentos nas cenas mais lentas, quando a história retomava o foco, o desenrolar da trama ficava cada vez mais interessante, e eu cada vez mais curiosa.  No geral é um livro muito bom que vale a pena ser lido. Recomendo muito!!

            Boas leituras!!




segunda-feira, 29 de abril de 2019

Leonardo da Vinci - Walter Isaacson

                               
                  "Descreva a língua do pica-pau" 


       Um item um tanto peculiar para se colocar em uma lista de afazeres do dia, ou nem tanto se soubermos a qual mente curiosa ela pertence. A lista encontra-se em um de seus vários cadernos, juntamente com experimentos de luz e sombra, projetos para apresentações teatrais e esboços do movimento das asas da libélula. Uma mente inquieta, que se interessaria também por anatomia, engenharia, hidráulica e tantas outras coisas, que, através de experimentos e observações, antecipou descobertas em mais de um século. 
        Leonardo nasceu em 1452 em Vinci na Itália, filho ilegítimo do tabelião Piero da Vinci com Caterina Lippi. Nessa condição, Leonardo não precisou seguir a profissão paterna, permitindo que desse livre curso à sua vocação. Durante toda a vida foi uma pessoa controversa para a época: filho ilegítimo, canhoto, gay, vegetariano, disperso e um pouco herético. Nada disso o incomodava, pois sua paixão pelo conhecimento sempre falou mais alto. Basicamente dedicou-se a questionamentos que a maioria de nós não faz mais ao sair da infância; coisas simples que nos permitem entender e admirar a dinâmica da vida.
       Nem sempre tirou do rascunho os trabalhos a que se propôs, mas para a execução de cada um se dedicava a estudos científicos(que acabavam por ser mais aprofundados que o necessário) para sua execução. As poucas obras que executou(suas favoritas), também não foram totalmente finalizadas, visto que Leonardo as retocava constantemente buscando a perfeição, até falecer.

       Walter Isaacson nos apresenta, nesta biografia incrível, Leonardo da Vinci e suas obras de arte!! Ambos se mesclam de uma maneira impressionante quando as obras(analisadas detalhadamente pelo autor) são situadas no tempo e contexto da vida do artista. Descobrir mais informações e detalhes de obras como A Última Ceia e conhecer a história de Lisa foram experiências únicas! 
        Uma passagem da introdução do livro, define a vida de Leonardo muito bem:
     " Mas, mesmo quando Leonardo se dedicava a pensamentos inovadores, a ciência não era um esforço descolado da arte. Juntas, elas serviam à sua paixão fundamental, que era nada menos do que saber tudo que há para se saber sobre o mundo, inclusive como nos encaixamos nele. Leonardo tinha uma reverência pela plenitude da natureza e era sensível à harmonia de seus padrões, que ele via replicada tanto nos fenômenos grandes quanto nos pequenos."

       Recomendo fortemente a leitura, mas leiam de modo a degustar o livro. Vai valer o tempo empregado e, ao final, terão "olhos de Leonardo" para observar e se maravilhar com o universo ao redor.

        Boas leituras!!

                                             
             
  


                      


                      


                      

                      

quarta-feira, 3 de abril de 2019

Um Conto de Natal - Charles Dickens

   "Ebenezer Scrooge é uma pessoa detestável! Rabugento, pão-duro e tão sentimental quanto uma rocha! O velho só pensa em acumular dinheiro e não se importa com ninguém!"


       Essas poderiam ser as palavras de qualquer morador daquela cidade, caso alguém perguntasse sobre o senhor Scrooge. De fato ele não era uma pessoa muito amigável e tudo em que pensava era diminuir gastos e aumentar os lucros. A única pessoa com quem já havia convivido bem fora seu sócio, Jacob Marley, falecido há sete anos. Logo, não seria nenhuma surpresa saber que o velho Scrooge, além de tudo isso, odiava o natal.
       Nossa história começa em uma véspera de natal. Somos apresentados ao senhor Scrooge que estava particularmente mal-humorado naquela manhã; vigiando seu funcionário Bob Cratchit e tentando se livrar de seu sobrinho irritantemente feliz, que decidiu passar na firma para desejar-lhe um feliz natal. Quando finalmente o dia termina, Scrooge vai para casa e é aí que coisas estranhas começam a acontecer... Ele vê seu ex-sócio Marley, entrar pela sala carregando suas pesadas correntes para alertá-lo sobre a visita que receberia de três espíritos durante aquela noite.

       Acompanhar a mudança da personagem foi interessante. À medida em que conhecemos sua história, percebemos que ele ainda tinha bondade dentro de si. Ela estava apenas adormecida, bastando um belo susto e um empurrão para que viesse à tona. Tudo o que precisava era avaliar suas escolhas medindo todas as consequências.
       Todos somos um pouco Scrooge. Em que estamos focando nossa atenção e energia? Será que vale o foco de uma vida inteira se transformando em algo precioso que nos escravisa, desviando a atenção de todo o entorno? Quais alertas estamos ignorando, ou pelo menos, tentando ignorar? Diante disso, nos resta dois destinos: podemos ser Scrooge ou Marley. A escolha é nossa. 

       Um Conto de Natal foi publicado pela primeira vez em dezembro de 1843 na Inglaterra, com ilustrações de John Leech. O sucesso foi enorme, o que estimulou Charles Dickens a escrever outros contos natalinos publicados em anos posteriores.
       Acredito que, assim como eu, muitos de vocês já conheçam esta história através das várias adaptações feitas para as telas. Mesmo assim, foi muito bom conhecê-la também escrita. Comecei a ler Dickens faz pouco tempo, através de seus contos sobre fantasmas e devo dizer que estou amando!! Recomendadíssimo!

       Boas leituras e que Deus abençoe a cada um de nós!





       Abaixo seguem fotos da primeira edição e algumas ilustrações originais: